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sábado, 14 de setembro de 2013

A Herança


Fui contratado para constituir a Associação de uma Fábrica de automóveis Coreana que estava se instalando no Brasil, para isso aluguei um casarão em um bairro nobre de São Paulo, para servir de sede da Associação.

Passado algum tempo... Eu estava entrando na sede, quando vi um homem de costas saindo da sala de espera, ele foi ficando transparente, senti um arrepio percorrer meu corpo, pisquei os olhos... Quando olhei novamente ele havia sumido. Noutro dia o homem subia as escadas em direção a minha sala, mais desaparecia, às vezes o avistava, caminhando pelo jardim ou ao chegar ele estava no portão, parecia que estava me esperando, mais logo evaporava, essas aparições se tornaram tão constantes que acabei me acostumando, mais minha secretária não!

Quando ela via o homem saia correndo pelo escritório, pálida, tremendo, com os olhos esbugalhados e gritando “Misericórdia! Ai meu Deus... Ai Jesus, me acode!”, então,  começou a usar um galho de arruda atrás da orelha e a bíblia na mesa, mais o homem de camisa xadrez, continuava pela casa, porém nunca vimos seu rosto, e, nunca nos ameaçou, só nos olhava e ia embora.

Nessa época, assaltaram uma casa do bairro, e os criminosos encharcaram o morador com álcool e atearam fogo, isso porque eles queriam que o morador lhes dissesse onde estava o dinheiro que este insistia que não tinha. Diante dos fatos, lembrei-me que numa parede do escritório tinha um cofre fechado, pensei “preciso deixar esse cofre aberto, se assaltantes entrarem aqui, como vou provar que o cofre está vazio e que não tenho a chave?”. Como o dono do imóvel também já não tinha a chave do cofre porque não o usava fazias mais de  30 anos, solicitei permissão para abrir o cofre.

O chaveiro ao abrir o cofre encontrou uma caixa de prata, que me foi entregue, ao abri-la encontrei: um par de abotoaduras, um chaveiro, uma pulseira, uma correntinha, um prendedor de gravatas, um anel, tudo de ouro maciço e pedras preciosas, eram jóias e em todas tinha a gravação de um nome ou suas iniciais, no fundo da caixa tinha algumas moedas e cédulas antigas.

Foi difícil dormir naquela noite, a caixa de prata não saia da minha cabeça, cada vez que cerrava os olhos, tinha pesadelos, via o homem andando na casa, num dado momento ele se virou e olhou pra mim... Olhei seu rosto...Eu conhecia ele de algum lugar! Seu rosto me era familiar!

Na manhã seguinte, enquanto o proprietário abria a caixa, observei seu rosto e notei que ele tinha os traços do homem que andava na casa...Ele olhou as jóias e disse: “Eram de meu avô, ele era um comendador, nunca imaginamos que tinha guardado algo naquele cofre! Pois antes de falecer ele perdeu a memória por 12 anos, eu vou usar essas jóias, já que tenho o mesmo nome dele...Ele gostava muito de mim e me batizou” pegou a caixa, me agradeceu e foi embora.

Não contei sobre as aparições, que por sinal nunca mais aconteceram. Refleti: Era desejo daquele homem que as jóias ficassem com seu neto querido como uma herança de família, mais desencarnou sem poder dizer de seu desejo... Agora eu creio que ele está feliz e pode descansar em paz, (e eu também!) e se desligar deste mundo dando continuidade a sua evolução espiritual em direção a Deus.

Se alguém se apropriasse daquelas jóias, estaria levando um problemão para si e sua família, as pessoas que são por demais ligadas à matéria, quando desencarnam continuam guardando suas coisas (acabam se tornando obsessores) até serem esclarecidos ou evoluírem ao ponto de saber que aquelas coisas não fazem parte do novo mundo em que estão vivendo, onde o importante é o amor, a caridade, a bondade a humildade, o perdão e as cicatrizes adquiridas nas jornadas terrestres, esses são nossos bens eternos, e que ninguém pode nos tirar, eles  estarão estampados em nossas frontes, como galões de evolução espiritual e moral, e, que através deles, seremos reconhecidos pelos habitantes do universo, e nos milhares de mundos e galáxias, onde um dia volitaremos a serviço de Deus.


(Sidney Gavin)

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